BLOG

Pé Plano em Crianças: O que é e como tratar?

Texto por: Lucas Villalta – Fisioterapeuta e Osteopata É comum ouvir relatos de pais preocupados com o pé e a pisada de seus filhos, principalmente quando os pés têm a aparência de serem muito achatados, conhecido como “pé chato” e oficialmente como pé plano. Todas as crianças com desenvolvimento típico nascem com pés planos flexíveis que […]

7 de julho de 2020
pé-plano-em-crianças

Texto por: Lucas Villalta – Fisioterapeuta e Osteopata

É comum ouvir relatos de pais preocupados com o pé e a pisada de seus filhos, principalmente quando os pés têm a aparência de serem muito achatados, conhecido como “pé chato” e oficialmente como pé plano.

Todas as crianças com desenvolvimento típico nascem com pés planos flexíveis que progressivamente desenvolvem o arco/curva medial do pé durante a primeira década de vida. A preocupação dos pais é que seus filhos desenvolvam algum tipo de deformidade ou dor. A literatura relata que há uma predominância de dores nas pernas, nos pés e doenças degenerativas em adultos com pés planos rígidos.

A questão é que este tópico ainda divides opiniões dos profissionais e não existe um consenso do quanto um pé deve ser considerado plano ou sobre em qual idade isso deve ocorrer. A curvatura dos pés, esse arco longitudinal, é formado progressivamente a partir das contrações dos músculos intrínsecos (profundos) dos pés como uma forma de amortecimento frente ao peso do paciente em contato com o solo. Portanto, quando devemos nos preocupar se este arco não está aparecendo e o pé está plano? Quando há falta de mobilidade e alteração de função.

Qualquer tipo de pé pode ser avaliado, e independente se é plano ou não devemos ficar atento a mobilidade dele e ao funcionamento. Devemos nos perguntar, este pé está com boa mobilidade apesar de ser plano? Este pé está respondendo adequadamente as cargas impostas a ele durante a marcha?

A mobilidade pode ser avaliada de forma passiva através da palpação e teste manuais, mas é dependente da experiência e da sensibilidade do terapeuta. O funcionamento é avaliado de acordo com o comportamento do pé na fase estática (parado em pé) e na fase dinâmica (andando) por meio de plantigrafia (exame de imagem que avalia como a pessoa pisa) ou, preferencialmente, pela baropodometria computadorizada (exame da pressão que o pé exerce sobre uma plataforma de força). Isso deve ser feito, pois o pé pode ter um comportamento diferente quando colocado sobre estímulos diferentes, por exemplo, o pé pode parecer plano quando em pé e parado, mas ao andar ele apresenta contração eficiente dos músculos do pé e forma o arco plantar. O importante é o pé ter mobilidade e ser estável durante a marcha.

O tipo de profissional que a pessoa deve procurar para tratar um pé plano depende do tipo de problema que ela tem. Se tiver algum problema de deformidade instalada no pé o mais indicado é um ortopedista. Entretanto, se o problema for dor ou alteração do movimento o profissional mais indicado é o fisioterapeuta. O fisioterapeuta é o único profissional que analisa e trata o movimento.

Em relação as propostas de tratamento que vejo no mercado como palmilha, botas/botinhas ortopédicas, órteses, treino motor e terapias manuais, tudo dependerá do quadro e da causa do pé plano.

No caso da palmilha podemos dividir em dois tipos, a palmilha ortopédica e a postural. A primeira é feita em material rígido que tem o objetivo de modificar a estrutura do pé, enquanto a postural poderá ter materiais de diferentes densidades e em diferentes locais para gerar um reequilíbrio postural do pé que repercuta no corpo inteiro. Pessoalmente, tenho preferência pela palmilha postural, pois ela é confeccionada especificamente para a pessoa que o utiliza. Contudo, para realizar a confecção dessa palmilha a pessoa deve ser encaminhada a um profissional que faça uma avaliação postural associado a baropodometria computadorizada.

As botas ortopédicas foram muito utilizadas nas décadas de 80, 90 e anos 2000, eu mesmo utilizei quando criança. Entretanto, tenho meus questionamentos sobre o uso desse tipo de “órtese”. As botas ortopédicas são rígidas e impedem que o corpo se reorganize frente a algum desequilíbrio. Ela inibe as reações posturais do nosso corpo e isso gera uma inibição dos músculos intrínsecos do pé e do tornozelo. Isso ocorre em crianças que não ficam descalças e que estão sempre com meia, sapatilhas antiderrapante, tênis, sapatos e chinelos.

Sempre quando colocamos algo que não permita que o pé entre em contato diretamente com o solo há uma diminuição das informações dos receptores táteis do pé para o sistema nervoso. Se diminui a informação que sobe para o sistema nervoso também diminui a resposta do músculo frente a um desequilíbrio. Portanto, eu indico que as crianças passem o máximo de tempo descalças para que os receptores neurais e os músculos sejam estimulados, estimulando a formação da curvatura do pé.

Quando falamos de botas, também perguntam das órteses suropodálicas. Estas órteses só têm indicação em casos onde o paciente apresenta algum tipo de condição que o impeça de corrigir o pé sozinho e fraqueza importante de determinados músculos. Elas só devem ser utilizadas quando prescritas por um médico ou fisioterapeuta especializado. Geralmente são utilizadas em pessoas com lesões neurológicas que apresentam alterações importante da marcha, grande instabilidade articular ou até dor. Essas órteses não devem ser utilizadas por crianças com desenvolvimento típico, pois irá prejudicar o desenvolvimento delas. Podemos discutir sobre órteses suropodálicas em outro momento.

Se há falta de mobilidade ou alteração das respostas musculares a fisioterapia é o tratamento mais indicado, pois irá realizar treinos motores específicos, técnicas de mobilização e orientações aos cuidadores da criança.

A osteopatia é uma especialização da fisioterapia e fará uma avaliação global do corpo e tratará regiões com falta de mobilidade e de alteração de função por meio de técnicas manuais, geralmente.

As causas para um pé plano podem ser várias e se isto deve ser tratado ou não deve ser avaliado e sugerido por um profissional especializado. Se alguém tiver alguma dúvida fico à disposição.

 

Observação:

Este é um artigo de opinião. Para mais referências e artigos científicos relacionados ao tópico discutido, sugiro que pesquise nas seguintes bases de dados:
http://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/

Português


Referências:
Uden, H., Scharfbillig, R. & Causby, R. The typically developing paediatric foot: how flat should it be? A systematic review. J Foot Ankle Res 10, 37 (2017). https://doi.org/10.1186/s13047-017-0218-1
Banwell HA, Paris ME, Mackintosh S, Williams CM. Paediatric flexible flat foot: how are we measuring it and are we getting it right? A systematic review. J Foot Ankle Res. 2018;11:21. Published 2018 May 30. doi:10.1186/s13047-018-0264-3

 

Quer receber mais conteúdos exclusivos semanalmente sobre assuntos como esse e outros? Preencha nosso formulário abaixo:

Depoimentos

Minha doula, Karen, que me mostrou que muitos “nãos” podem ser convertidos em um único “sim”. Aquele que terá valor para o resto de sua vida, como a fênix faz a mulher renascer das cinzas, que faz adormecer a mulher fragilizada, para dar espaço a mulher dona de si, do seu destino e mãe. E que fez tudo para que isso acontecesse de uma forma serena, cheia de luz e paz. Para você, querida, que foi meu porto seguro, que fez tudo e que viveu minha perda e tornou isso a maior conquista e descoberta da minha vida: Todo amor que houver nessa vida.

Marilene Pereira

A drenagem linfática sempre me ajudou desde antes da gestação, mas principalmente durante ela, quando os inchaços são mais constantes. Além disso, contar com uma profissional bem atualizada me deixa bastante tranquila em relação ao parto (Karen será minha doula), sem contar todo o acolhimento recebido.

Juliana Ferraz

Conheci a Pamela este ano e recebi um enorme benefício para meu corpo e minha saúde. Sua conduta é profissional de grande qualidade, dedicação e seriedade, sempre preocupada em estudar a saúde de cada paciente em particular. Indico sempre seu trabalho!

Liliana

Bem , conhecer a Karen foi um prazer para mim , Gio e nosso filho Pedro . Iniciamos o preparo perineal com ela no terceiro trimestre de gestação com uma consulta atenciosa e profissional na clinica Healize. Tive uma dedicação da Karen desde o primeiro contato, e eu mesmo sendo médica precisei de muitas informações para meu desempenho no parto. Mesmo com o preparo que nosso corpo nos dá para o parto , a massagem perineal e o uso do EPi nos deixaram seguras frente ao trabalho de parto. O Pedro nasceu de 39 semanas e 3 dias de parto normal sem ipisiotomia sem nenhuma laceração em meu períneo , isso nos deixou muito gratas com o atendimento recebido na Healize.

Carolina Cresciulo

Tenho 68 anos e há 2 anos atrás não estava bem, com o corpo todo enrijecido, fortes dores me impossibilitando de andar ou subir degraus, foi quando decidi experimentar o Pilates, foi a minha cura. Gostaria de dizer que o Pilates tem que ser muito bem orientado e bem acompanhado, o que encontrei na Healize, com uma profissional séria, competente e que está sempre se atualizando com cursos e estudos.

Aidir Maria